Palavra do Presidente

Política e governabilidade brasileira em frangalhos

 

Novas e antigas operações da Polícia Federal e investigações do Ministério Público como mensalão, lava jato, além de uma quantidade infinita de pessoas do alto escalão do governo e este próprio, inclusive, também investigado, tornam claro acerca da necessidade de um recomeço do Brasil. É preciso ocorrer um retorno não ao útero, pela impossibilidade; mas ao jardim de infância. A política brasileira e a governabilidade da presidente estão em ruínas.

É frequente em igrejas variadas, ver cenas de pessoas se convertendo do adultério, de vícios e outros pecados, mas parece impossível que um corrupto de converta da corrupção. Talvez seja pelo motivo que para converter-se é preciso confessar primeiro que pecou e no caso da corrupção, é impossível uma confissão. Assim, é preciso saber se é possível um conjunto grandioso de corruptos e criminosos do povo brasileiro também punir com a cassação de mandato ou impeachment outra pessoa com os mesmos e ou maiores defeitos.

Passa a ser bastante temeroso que pessoas investigadas possam desempenhar com isenção e ética, o papel de punir seus páreos. Do mesmo modo torna-se mais que óbvio que aqueles que proferem com eloquência críticas e acusações acerca de determinados corruptos também estejam enterrados ate o pescoço na própria lama da corrupção em que se encontram os investigados ou pelo menos mamando nas tetas do governo, saboreando leite colostro.

Alguém mais simples poderia dizer que o Brasil ainda tem jeito, basta uma grande reforma no governo, não neste, mas em outro. Mas, alguém com mais sapiência dirá que o conserto virá só no futuro. É preciso começar no jardim de infância: no biscoito que a criança pegou do coleguinha; da que fez arte e colocou a culpa em outro amiguinho. Como dizia Carlos Drummond de Andrade, poeta mineiro, de Itabira, em trechos de um de seus versos: “Eu preparo uma canção que faça acordar os homens e adormecer as crianças”.

A política brasileira e a governabilidade estão em frangalhos e a culpa é todo sua, é toda nossa. O erro está no passado remoto de cada leitor: que furou a fila na espera de uma repartição pública; que vendeu o voto; que trocou o voto pela promessa de um emprego; que falsificou um atestado médico; que recebeu troco errado a maior e não foi devolver; que trabalhou em alguma campanha eleitoral e pediu voto para a pessoa que, no fundo, nem mesmo você, eleitor, conhecia; que votou em alguém só porque o vizinho pediu, mas você nem conhecia; que mentiu e, pior, ainda pediu para seu amigo confirmar a mentira.

Os investigados, os que tentam obstruir a justiça, os que já receberam a confirmação judicial de seus atos de corrupção e aqueles que não terão seus atos corruptíveis descobertos são reflexos da sociedade que os elegeram. Também somos corruptos. Pode-se dizer que aprendemos traços malditos dessa corrupção ainda no jardim de infância. Não adianta podar a árvore agora. É preciso arrancar as raízes. A solução mais rápida que se pode esperar é a preparação de um novo jardim de infância para que o futuro seja melhor ou ao menos, menos pior.